Formou-se no Jardim de Infância em 7 de dezembro de 1963, em Brasília. Foi, sem dúvida alguma, o maior feito de toda a sua vida. Foi também em Brasília que começou a aprender a fazer travessuras e técnicas de burlar o rígido sistema familiar de educação, fato que lhe custou, ao longo da infância e da adolescência, inúmeros e diversos castigos. E, dizem, até hoje não aprendeu a se comportar.
Filho de militar, desde cedo teve que aprender o que era desapego. Quando pensava em se apaixonar, era obrigado a mudar de cidade.
E foi assim que, ao ingressar no CMPA, recebeu o número que lhe custaria um apelido: militreca. De 1003. Saudoso número. Um ano de experiências dolorosas, como pegar o que hoje chamamos de recuperação em francês. Além de passar poucas e boas com o professor dizendo que, como o nome de guerra tinha origem basco-francesa, deveria falar a língua fluentemente. Coisas da época.
Novamente transferido de cidade, um jovem de potentes 14 anos viu-se em meio a uma Brasília que em nada mais lembrava a cidade da sua infância. O que, diga-se em breve passagem, não o impediu de continuar a praticar traquinagens, agora típicas da adolescência.
Quis a vida que mais uma mudança lhe fosse imposta. Não por transferência do pai para outra cidade, mas por sua ida definitiva ao que alguns chamam de Reino dos Céus.
Retorno a Porto Alegre e reingresso no CMPA. E qual não foi a surpresa ao saber que já haviam destinado seu número, sim, seu número, para outro colega. Um trauma quiçá nunca superado.
Nunca desejou ser um “primus inter pares”. Dá trabalho, tem que estudar muito. Poucas, porém grandes, foram as amizades que fez. Guarda-as no coração, apesar do natural distanciamento que a vida proporciona.
“Arma ligeira que transpõe os montes”. Uau! Sim, sim!!! Não há maior orgulho do que ter sido cavalariano aos tempos do CFR. Montador do Timbó, o Coiceiro! Lembrar de ter desfilado montado no Timbó em plena João Pessoa causa lhe arrepios até hoje!
Foi Secretário da SEL em 1974 e Diretor Cultural em 1975, ano em que aproveitou mais algumas das suas traquinices, quase lhe custando alguns dias de “cadeia”.
E por falar em professores, sequer a também traumática experiência com o “Motorzinho” o afastou da ciência. Foi fazer Física e, ao depois, Astrofísica na UFRGS. Felizmente descobriu, cedo, que não nascera para ser a reencarnação do Einstein. Mais: melhor viver a vida do que tentar entender o universo. Não que não seja fascinado, até hoje, pelos astros.
Fez Análise de Sistemas e trabalhou vários anos na área. Montou empresa de desenvolvimento de software e andava bem, até que um certo “caçador” resolveu que a melhor forma de resolver o problema do país era quebrar a sua empresa. Quebrado e com família para sustentar, virou-se como pode. Até que um amigo do CMPA, sabendo da situação, o chamou para um trabalho. Trabalhou, por dois anos, como Gerente do CPD da Companhia de Laticínios do Estado, a já inexistente CORLAC.
Na época, formou-se em Administração de Empresas, na UFRGS. E foi fazer o que lhe cabia: concursos. Passou na CEEE, CRT, AGERGS, Justiça Federal e Ministério Público. Nesse meio tempo ainda fez Direito na UFRGS.
Trabalhou um tempo na CRT, na Justiça Federal e, há 24 anos, trabalha no Ministério Publico do Rio Grande do Sul, como Analista Administrador. Fez Especialização em Psicologia Organizacional (PUCRS) e em Gestão Pública (FGV). Não pensa em se aposentar. Gosta do que faz.
Pra quem, quando ainda jovem estudante do CMPA “não era CDF”, até que estudou muito. Atualmente cursa Bacharelado em História (UNINTER).
Casado três vezes e pai de duas maravilhosas filhas e avô de um neto.