Recordo, ainda criança em Brasília, quando pela primeira vez descobri o significado da palavra colecionar. Via meus irmãos mais velhos fazendo coleções. De todos os tipos de coisas. Mas as mais importantes, claro, eram os álbuns de figurinhas.
Como crianças, sofríamos duplamente: por depender dos pais para a compra dos “pacotinhos” e por, muitas vezes, não conseguir as mais difíceis. Sem falar, claro, da tristeza que isso nos causava.
A vida é um álbum e nossas amizades são as figurinhas que vamos colando. Existem as repetidas, que trocamos por novas; existem, também, aquelas que apenas fazem parte de alguma página e só nos lembramos delas quando, por razão qualquer, abrimos o álbum à procura de alguma em especial. E essas, as especiais, são as que permanecem.
Em tempos de mundo virtual, vamos colando “amigos” em páginas que nunca mais veremos. Existe, no entanto, um álbum que é todo ele especial.
O álbum que não abrimos as páginas para olhar as figurinhas, mas que dele somos parte e onde a vida não acontece por uma mágica de um programa de inteligência artificial, mas por sabermos a ele pertencer.
Pertencer é o que define uma amizade. É, apesar dos tempos e das distâncias, o sentir dos abraços apertados, das alegrias por rever tantos que há tempos não víamos e pelas recordações disparadas nos corações; e é, acima de tudo, o compartilhar. Não o compartilhar dos caminhos trilhados, mas o compartilhar daquilo que nos torna humanos: o amor.
Pertencer não é ter o nome gravado em uma placa. Pertencer é a marca indelével que deixamos uns nos outros e que levaremos pela eternidade.
Esse é o nosso Álbum dos 50 Anos.