Portal da Turma 1975 do CMPA

Discurso de Freitas na Comemoração dos 50 anos

Nome do Autor: Freitas

Caros amigos integrantes da nossa Turma Integração Nacional, esposas, filhos, familiares e convidados.

Cel Gladizik, Cmt CMPA, nossos agradecimentos por nos receber, proporcionando este reencontro, neste local que é muito especial para todos nós.

Integrantes da Comissão Organizadora, agradecemos aos amigos que idealizaram, planejaram e conduziram a realização destes dois dias de reunião. Muito obrigado a vocês que despenderam seu tempo e trabalharam com muito cuidado e carinho para que pudéssemos nos reunir. Nossos reconhecimentos ao Teixeira, Contieri, Gaynor, Alvorcem, Carneiro, Heim e Bandeira.

É realmente uma grande alegria ver todos vocês aqui, comemorando nada menos que 50 anos da nossa formatura. Meio século… e ainda guardamos vivas as lembranças da infância e da adolescência que passamos neste colégio.

Para muitos — e me incluo nesse grupo — este é o primeiro retorno desde a formatura. E confesso: é emocionante. Ao longo da carreira militar estive próximo de realizar essa visita, mas por um motivo ou outro nunca aconteceu. Talvez Deus tenha guardado esse reencontro para hoje, junto de tantos amigos e irmãos que há muito tempo não via.

Mas…estamos todos aqui por causa deste velho Casarão, que foi tão importante para as nossas vidas. Voltar às décadas de 60 e 70 na memória é inevitável.

Naquela época, especialmente para quem vinha do interior, entrar no Colégio Militar de Porto Alegre era como atravessar um portal: significava oportunidades, ensino de qualidade e, mais do que isso, valores que moldaram o nosso caráter.

Foi onde a gente cresceu, errou, acertou, foi repreendido — algumas vezes merecidamente, outras nem tanto — e aprendeu muito além do que estava nos livros. Aqui, aprendemos respeito, amizade e, para sobreviver, muita criatividade… afinal, só quem estudou em Colégio Militar sabe a arte de inventar desculpas para explicar por que a farda não estava bem passada, porque o coturno e a fivela não estavam brilhando, porque estava atrasado, ou, no caso dos alunos internos, porque a cama estava mal arrumada.

Também foi neste colégio que muitos descobriram suas vocações. Uns seguiram a carreira militar, outros viraram médicos, engenheiros, professores, advogados, jornalistas, empresários… cada um foi por um caminho, mas todos levaram consigo o que aprenderam aqui. Esse aprendizado foi a base para construir nossas carreiras, famílias e sonhos.

A vida é uma jornada que apresenta muitos caminhos e para fazer a escolha correta necessitamos de orientação. O CMPA nos preparou para os desafios que viriam. Certamente, foi o início de uma caminhada que mudou nossas vidas e criou oportunidades que talvez nunca imaginássemos.

Muitos de nós, inspirados por esse ambiente, escolheram seguir a carreira militar. Creio que cerca de 30. Para esses não foi uma transição difícil, a influência sentida desde cedo e o exemplo dos professores, instrutores e monitores foi a semente que despertou uma vocação que vai além do simples desejo de ter uma profissão.

O Colégio foi o nosso primeiro quartel, onde nos foi apresentado o primeiro campo de instrução. Foi aqui que aprendemos a marchar, a respeitar a bandeira, a valorizar o trabalho em equipe, a compreender a grandeza do verbo “servir” e a entender que honra, dever, disciplina e dedicação não eram só palavras, mas atitudes.

Assim, não podemos falar do êxito de tantos alunos, hoje civis ou militares, sem reconhecer a profunda marca deixada pelo Colégio Militar em suas vidas.

Quando falamos do nosso velho CMPA parece que o tempo volta.

Nossas memórias trazem cenas variadas da nossa vivência nestas tradicionais arcadas: a correria para não chegar atrasado no rancho, as formaturas no pátio, o rachão na quadra “sangue e areia”, o estresse das semanas de VC, as tentativas de “socialização” nos intervalos de aula no Instituto de Educação, as boates do Círculo Militar, os bailes no Salão Brasil, as brigas dos internos com as turmas de bairro, ou a lembrança dos professores, cada um com apelido criativo.

E, certamente, o mais precioso dos presentes, as amizades. Quantas histórias nasceram aqui? Quantas vezes a gente se ajudou — seja para estudar na véspera, para ouvir um desabafo, ou para carregar aquele colega que quase desmaiava na corrida? Essas lembranças ficam, e é por isso que, mesmo tantos anos depois, a gente se reúne e continua rememorar o que compartilhamos.

E agora, aqui estamos. Hoje percebemos que esta casa tem alma. Não é só prédio, sala e corredor. Ela guarda a energia de quem passou por aqui, que sonhou, cresceu e construiu laços que resistiram ao tempo.

Ela é a memória viva que ecoa em seus pátios, nas formaturas, nas festas celebradas, nas amizades que resistem aos anos. Revela-se no orgulho dos ex-alunos, no carinho dos professores, no brilho nos olhos dos que aqui ainda estudam.

Essa é a alma desta escola — a energia invisível que a torna eterna, que a faz ser mais do que um prédio: faz dela um lar, uma tradição, uma chama que todos nós temos e que se revigora a cada nova geração de alunos.

E nós, irmãos da Turma Integração Nacional, pertencentes à família garança, sabemos que o que nos une é mais que amizade: é o fato de termos vivido juntos experiências que ajudaram a nos tornar quem somos hoje, é o fato de escolhermos conduzir nossas vidas seguindo os valores aqui adquiridos.

São laços que o tempo não apaga.

Reconhecemos que tivemos a sorte de caminhar juntos.

E isso, meus amigos, é o que faz a nossa história ser tão especial.

Hoje, quando olhamos para trás, percebemos que o colégio militar foi um espaço de evolução, onde garotos se tornaram cidadãos prontos para o mundo.

Cada um trilhou a sua estrada, mas todos sabemos de onde viemos. A raiz é comum: a nossa turma, o nosso Colégio Militar de Porto Alegre, o Casarão da Várzea, que nos uniu e nos transformou.

Por isso, agradeçamos a Deus por esse momento. Que venham muitos outros encontros, para a gente continuar rindo, lembrando, e — quem sabe — ainda marchando juntos… mesmo que cada vez mais devagar!

Salve o Brasil CMPA!

Muito obrigado!

Que Deus nos abençoe a todos!